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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Lombalgia: entenda os mecanismos que a causam e como o tratamento conservador pode ajudar.

Atualmente a lombalgia, popularmente conhecida como dor lombar, afeta mais da metade das pessoas de forma constante. E até 85% da população terá essa dor em algum momento da vida.

Embora existam fatores psicológicos e sociais por trás de tal problema, o estresse mecânico sempre tem um papel importante no desenvolvimento do mesmo, e a fisioterapia é de extrema importância na atuação desse fator.

Mais da metade das lombalgias são idiopáticas, ou seja, sem causa definida. Mas dentro dos fatores que podem causá-la, podemos citar as hérnias de disco entre as principais causas, sendo a maior incidência na coluna cervical e lombar.

A hérnia ocorre quando as fibras do disco intervertebral, que contém o núcleo pulposo (substância que os forma), se rompem. A função dos discos é  absorver impactos do dia-a-dia, e podemos compará-los a uma bolsa de gelatina entre cada vértebra.

                      

    Disco Intervertebral                                             Hérnia de disco
  
Independente de fatores externos, os discos começam a degenerar-se a partir dos 20 anos de idade. Mas fatores como o peso corporal, tensão nos ligamentos e músculos, pressão intra abdominal (conseguida também através de fortalecimento) e cargas externas contribuem para a preservação discal.


As sobrecargas na coluna fazem os discos perderem água (90% da sua composição) como um mecanismo de auto proteção. Ao aliviar a carga, a água é reabsorvida. Porém a sobrecarga contínua e o envelhecimento tornam esse mecanismo cada vez mais ineficaz, e os discos passam a diminuir sua capacidade de reabsorção de água (ficando desidratados e suscetíveis a lesões) e consequentemente de absorção de impactos.

Ao contrário do que se imagina, ficar sentado gera mais carga de compressão sobre a coluna do que manter-se em pé, sendo que manter a postura desleixada, mesmo que agradável, é um agravante para tal.

A nutrição dos discos é feita através de mudanças posturais. Por isso, manter-se fixo, independente do conforto, por longos períodos, é prejudicial.

Além da postura inadequada, movimentos súbitos ou excessivos, e o uso de apenas uma mão constantemente para carregar pesos predispõe a lesões na coluna. Um único e simples movimento com uma carga elevada pode ser o suficiente para que a lesão ocorra; ou ainda diversos movimentos com cargas pequenas.

Dentre os movimentos mais agressivos para os discos encontram-se os de rotação da coluna. Não que não devam ser feitos, mas durante exercícios é preciso a orientação de um bom profissional e no dia-a-dia devem ser realizados da forma menos brusca possível e nunca carregando-se cargas elevadas.

Aliás, a velocidade é praticamente decisiva na incidência da lesão discal. Quanto mais lento um movimento, menor a carga compressiva sobre a coluna.
 
E vibrações também são prejudiciais aos discos. Comuns em cadeiras de massagem, provocam uma piora considerável em quem se arrisca a resolver o problema sem orientação profissional.
 
Sendo assim, após explicações básicas sobre o mal que acomete uma boa parte da população, torna-se necessário explicar qual é o papel da fisioterapia dentro da lombalgia.

Pode-se dizer que a base para uma coluna sem dor é a estabilidade e a flexibilidade. Mas infelizmente o que parece simples não pode ser realizado de qualquer forma, porque o que é benéfico para uma pessoa sem dor pode piorar e muito um quadro onde já existe um problema.

O princípio do tratamento é o ganho de estabilidade para a coluna, que ocorre através da ativação de músculos específicos que irão aumentar a pressão intra abdominal (lembrando que essa pressão em excesso também provoca dor).

Vale explicar que esses músculos devem ser ativados o tempo todo, e para que isso ocorra faz-se necessário um foco em resistência (que fará com que mantenham-se contraídos por muito tempo sem fadigar) e não força, o que explica o índice de dor e lesões em atletas e praticantes de exercícios como musculação.

O famoso abdominal é importantíssimo para o ganho desse aumento de pressão. Entretanto, os convencionais, onde se realiza uma flexão total de tronco, independente das pernas estarem dobradas ou esticadas, geram uma carga de 3.000 Newton na coluna, o equivalente a 305,91 Kg (imagem 1). Em contrapartida, esses mesmos exercícios com o tronco fletido parcialmente diminuem a carga compressiva gerada (imagem 2).

                 


Já a flexibilidade, ao contrário do que se pensa, não é sinônimo de alongamento. Ser flexível é conseguir mover todas as partes do seu corpo no limite máximo (o que não se consegue de um dia para o outro). O alongamento é um exercício para ganho de flexibilidade, porém implica em sustentar a posição por no mínimo trinta segundos. Mas quando o tecido neural (o tecido que recobre o nervo) ou o próprio nervo estão acometidos, fato comum nas hérnias discais, o alongamento agrava o quadro uma vez que estira o tecido e diminui o suprimento de sangue para uma região muito sensível e já danificada. Portanto, é preciso outro recurso, como a mobilização neural, para o retorno da flexibilidade sem danos adicionais.

Além das técnicas e recursos convencionais que a fisioterapia tem a disposição para o tratamento da dor lombar, seja ela idiopática ou secundária as hérnias por exemplo, pode-se citar o método Pilates, tão divulgado atualmente, como um excelente coadjuvante, desde que adaptado para cada necessidade e aplicado por um fisioterapeuta nos casos em que o objetivo é a reabilitação. Esse método trabalha com foco na ativação da musculatura profunda que estabiliza a lombar, movimentos suaves, e uma gama de abdominais com flexão parcial de tronco. Todavia, possui alguns exercícios agressivos e prejudiciais quando a instabilidade da coluna ainda é grande; além do foco em alongamentos que podem ser contra indicados.

Sendo assim, é de fundamental importância uma avaliação fisioterapêutica minuciosa para traçar-se o plano de reabilitação, além da adaptação de métodos parcialmente benéficos como o Pilates e a adição de outros recursos que se fazem necessários. Portanto, cuide da sua saúde buscando um tratamento individual e personalizado que fará toda a diferença no futuro.

Referência Bibliográfica:
Hall J, Susan. Biomecânica da coluna vertebral; 277 - 317. In: Hall J, Susan. Biomecânica Básica. Editora Manole. 2009: 5ª edição.

Referência para a conversão de Newton em Quilograma:
http://www.convertworld.com/pt/massa/Kilonewton.html

Imagens: Internet.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Pilates e Abdominais: quando exercícios fundamentais podem se tornar tão perigosos?

A base para qualquer tratamento de dor lombar (lombalgia) é o fortalecimento abdominal. 
Mas então por que esses exercícios, fundamentais nesse tipo de tratamento, podem ser também os causadores de dor ou até mesmo ocasionarem um problema maior como hérnia discal?
A resposta está na execução. Mas vamos por partes.

A maioria das lombalgias ocorrem por tensão da musculatura profunda da coluna, tão sobrecarregada no dia-a-dia, principalmente quando passamos horas em posturas inadequadas.
Somando-se a essa rigidez muscular por tensão a falta de força e flexibilidade, tão comuns nas pessoas sedentárias, temos a receita ideal para um problema incapacitante que acomete uma grande parte da população. 

       
Músculos que sustentam a lombar.

Os músculos fracos e rígidos não promovem sustentação, estabilidade nem mobilidade para a coluna. E são esses fatores, acrescentados na maior parte das vezes pela má postura, responsáveis pelos quadros de dor idiopática, protusão e hérnia discal.

Mas onde entram os abdominais?

Alguns desses músculos estabilizam a coluna. Eles funcionam como uma cinta, fornecendo pressão para que haja mobilidade sobre estabilidade.

Porém, o famoso reto abdominal, tão exercitado indiscriminadamente, não é o responsável por esse processo. E muitas vezes os músculos do quadril auxiliam o movimento, diminuindo a eficácia do fortalecimento e aumentando a sobrecarga lombar (nas imagens abaixo, exemplo de abdominais que exigem força de outros músculos não relacionados).

Para obter a estabilidade que nos protege da dor e lesões, é preciso ativar o músculo transverso do abdome (imagem abaixo), que faz parte do CORE ou Cinturão de Força, usado durante a realização do Pilates.


E no fortalecimento abdominal, pensar nos oblíquos, que aumentam a pressão intra abdominal, assim como o transverso, estabilizando a lombar.
Exemplo de fortalecimento de oblíquos comumente utilizado no Pilates.

Mas então não se deve fortalecer o reto abdominal?

Claro que sim! Para se ter uma vida saudável é preciso equilíbrio. E fortalecer apenas alguns músculos, enquanto os outros permanecem fracos, não faz parte de uma condição equilibrada.

Mas a execução correta é fundamental para não haver predisposição a lesões. E isso durante qualquer exercício.

Esse é o motivo de após tantos estudos os adeptos do Pilates "moderno" solicitarem a pelve neutra durante a prática. Esse posicionamento, além de estabilizar a lombar, mantém os discos em uma posição sem pressão, não permitindo uma carga excessiva desnecessária na região.

Na imagem acima, pelve anteriorizada, neutra e posteriorizada, respectivamente.

Exemplo de pelve neutra mantendo a postura adequada enquanto sentado.

Durante o exercício, pelve anteriorizada, posteriorizada e na posição correta, neutra, respectivamente.

Na imagem acima, visualização de como a anteriorização da pelve aumenta a curvatura da lombar e comprime os discos posteriormente.

E para finalizar, visualização de como uma alteração na posição da pelve afeta a musculatura, que por sua vez afeta articulações.

Sendo assim, pode-se notar que a importância dos abdominais durante o Pilates é proporcional ao posicionamento adequado da pelve. Porque uma pelve desalinhada provoca sobrecargas que tornam os exercícios, principalmente os abdominais, extremamente prejudiciais.

Apenas uma aplicação fundamentada na biomecânica do corpo proporciona uma execução correta e eficaz.

Imagens: internet.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Por que usar a bola no Pilates?



O Pilates com a bola tem sido divulgado tão amplamente que poucos sabem que o criador do método, Joseph Pilates (1880 - 1967), não usava esse acessório nas suas aulas. O uso da bola passou a ser difundido na reabilitação por terapeutas da América do Norte que viram seu uso em 1960 na Suíça (daí o nome "bola suíça). Nessa época, as bolas eram vendidas apenas para fisioterapeutas, hospitais e clínicas. Sua aplicação em treinamento de elite e fitness em geral, incluindo o Pilates, são extremamente recentes embora muito bem divulgadas. 

Mas se o uso da bola não consta na criação do método, quais são os benefícios de adaptá-lo para o seu uso?

Por ser uma superfície instável requer equilíbrio corporal, o que faz com que músculos profundos entrem em ação para manter a postura. Essa musculatura profunda ativada é fundamental para a prevenção de dores e lesões.

Exercícios na bola também exigem mais concentração e percepção dos movimentos, melhorando o controle e ativação muscular, coordenação e consciência corporal. Isso é importante para que evitemos tensionar músculos desnecessários durante determinados movimentos, como a elevação do ombro ao digitar no computador (imagem 1), que tensiona o músculo trapézio (imagem 2).


  
Imagem 1
      
Imagem 2


Outro fator a ser levado em consideração são as questões emocionais impostas no uso da bola. Por ser algo que remete a nossa infância, velhas feridas podem ser trazidas a tona, sejam elas traumáticas ou apenas saudosas. E é por isso que algumas pessoas sentem-se tão desconfortáveis diante da bola. Entender essa ligação é fundamental para que o profissional identifique esses incômodos e realize um processo de adaptação.

Além disso, como os níveis de controle e concentração são elevados, não conseguir realizar determinados exercícios pode levar a um nível de frustração muito ruim. Por isso é importante propor movimentos mais simples sobre a bola para posteriormente avançar no nível e/ou intensidade.

Diante de todos esses benefícios, considero importante a adaptação do método Pilates para a bola, sendo de extrema valia utilizá-la em todas as aulas mesmo que por um tempo curto. Seu uso não deve ser subestimado diante da aparelhagem desenvolvida pelo criador do método. Mas cuidado: exercícios feitos sem orientações podem gerar compensações musculares (uso de músculos inapropriados para conter um movimento) que desencadeiam lesões. Procure sempre um profissional!

Referência: Pilates com a bola, Colleen Craig, 2ª edição (São Paulo: Phorte, 2005).

Imagens: internet.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Jornal Instituto RV Press - 2ª publicação

Nesta 2ª edição do Jornal RV Press, de Julho de 2011, confiram as seguintes matérias:

  • Dores na coluna e hérnia de disco: conheça o RCV, um tratamento eficaz e não invasivo
  • Conheça mais sobre a baropodometria
  • Elimine a dor lombar com Pilates
  • Natural Detox: uma nova forma de desintoxicar seu organismo

Confira abaixo as matérias, clicando nas imagens para ampliação.



Para maiores informações sobre os tratamentos, entre em contato através do telefone (11) 2091-1267.

Novo local de atendimento desde Agosto de 2011 - Rua Manuel de Atouguia, nº 16, Tatuapé, em frente a entrada do Pronto Socorro do Hospital São Luiz, Unidade Anália Franco.

Jornal Instituto RV Press - 1ª publicação

O Jornal Instituto RV Press foi criado com o intuito de levar informação de qualidade sobre determinados assuntos da área da saúde à população.
A primeira publicação do RV Press, em Maio de 2011, teve 20.000 exemplares distribuídos e abordou os seguintes temas:

  • Dores na coluna e hérnia de disco: conheça um tratamento eficaz
  • Os benefícios do Pilates
  • O que é bursite?
  • Você tem disbiose intestinal?
  • Artrose: entenda mais sobre essa patologia

Confira abaixo as matérias, clicando nas imagens para ampliação.




Para maiores informações sobre os tratamentos, entre em contato através do telefone (11) 2091-1267.

Novo local de atendimento desde Agosto de 2011 - Rua Manuel de Atouguia, nº 16, Tatuapé, em frente a entrada do Pronto Socorro do Hospital São Luiz, Unidade Anália Franco.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Pilates Clínico: saiba escolher de acordo com suas necessidades.

Atualmente a modalidade Pilates tem sido amplamente divulgada, mas poucos sabem as diferenças entre a prática na academia e a prática clínica, assim como as indicações de cada uma.

As aulas de mat Pilates oferecidas na academia são realizadas com o auxílio de acessórios como bola e faixas elásticas e abrangem um público amplo, não diferenciando as necessidades individuais, uma vez que as mesmas são realizadas em grupos. Todos realizam os mesmos exercícios, havendo apenas algumas adaptações caso algum praticante tenha dificuldade na realização do exercício proposto.


Já o Pilates Clínico, quase sempre oferecido em estúdio, possui o diferencial de atender um grupo pequeno de pessoas, normalmente no máximo três por aula, proporcionando maior individualidade, essencial para quem busca objetivos mais específicos, como o tratamento de dores e lesões reabilitados por um fisioterapeuta.

Tendemos a achar que todo e qualquer tipo de exercício é benéfico, mas infelizmente isso não é verdade. Cada um possui necessidades específicas, que variam de acordo com a concomitância de problemas físicos, atividade profissional, hábitos diários, entre outros.

Alongamentos, por exemplo, são contra indicados em caso de irritabilidade neural (inflamação dos nervos, como na síndrome do túnel do carpo e hérnia discal com compressão do nervo isquiático). Já as dores na coluna, seja por fraqueza muscular ou alterações estruturais como hérnias discal, exigem um trabalho mais focado em resistência do que força muscular. E todos esses fatores são levados em consideração no tratamento através do Pilates Clínico após uma avaliação específica.

Sendo assim, torna-se claro a importância de considerar seu principal objetivo e necessidade a fim de escolher uma das modalidades desse método tão divulgado. 


Imagens: Internet.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Pilates é indicado para tratar dor lombar?


Atualmente, em que exercitar-se através do método Pilates está na moda, muitos já ouviram falar dos benefícios e indicações dessa modalidade. E uma das principais indicações tem sido como tratamento das dores, principalmente lombar. 

Mas será que não há contra-indicações? Ou melhor, será que não é preciso modificações, adaptações e até mesmo a exclusão de alguns exercícios do "método original" - desenvolvido durante a Primeira Guerra Mundial - para quem possui alguma disfunção na coluna?

Alguns exercícios que envolvem extensão da coluna com suspensão dos membros inferiores e superiores, como o mergulho do cisne (ou swan dive - foto ao lado) são extremamente prejudiciais para quem tem protusão discal, hérnia discal. Algumas explicações para o "benefício" desse exercício é a ativação dos multífidos, músculos responsáveis pela extensão da coluna e estabilização das articulações (estabilizando principalmente o segmento lombar). Porém a carga imposta na lombar nesse exercício é maior que 4.000 Newton, ou seja, 407,89 Kg. Não me parece uma carga leve, principalmente para quem já tem uma degeneração no disco intervertebral, responsável por amortecer impactos.





Músculos múltifidos no segmento lombar, responsáveis pela estabilização articular. Eles partem de regiões da pelve (quadril) e vértebras para inserirem-se 3 a 5 vértebras acima. 



Degeneração do disco devido a sua herniação. Sempre haverá uma diminuição do amortecimento dos impactos entre essas vértebras.

Outro fator extremamente importante e contra indicado no tratamento das lombalgias (dor lombar) são os alongamentos, muitas vezes realizados ao término das aulas de Pilates. Quando há compressão de um nervo, comum nas hérnias discais, o alongamento da musculatura da região agrava a situação.

Isso acontece porque os nervos passam dentro dos músculos, e não superficialmente a eles. Quando há uma dor de origem neural é porque esse nervo não está recebendo suprimento sanguíneo adequado, tendo sua nutrição alterada. E isso pode ocorrer devido a uma compressão, lesão, ou até mesmo uma lesão muscular que secundariamente acomete o nervo. Ao alongar o músculo, esse nervo também é alongado e diminui seu calibre, dificultando mais ainda sua nutrição. E a má oxigenação dos tecidos libera substâncias que causam dor.


Portanto, alongamentos musculares na região do trajeto do nervo acometido devem ser substituídos por mobilização neural (imagem abaixo), técnica que mobiliza o nervo através de combinações de movimentos específicos, sem sustentação como no alongamento; efetiva no tratamento da disfunção da microcirculação intraneural - já quem um nervo comprimido ou lesionado também apresenta alterações, seja compressão ou lesão, nos seus vasos sanguíneos.


Sendo assim, o método Pilates é extremamente indicado no tratamento das lombalgias e possui inúmeros benefícios contra a recidiva da dor, desde que adaptado de acordo com as individualidades de cada praticante.

Imagens: internet.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Exercícios X Boa postura

É difícil entender a importância de realizar exercícios e manter uma boa postura durante os mesmos e no dia-a-dia para evitar dores e lesões. Porém mais difícil ainda é entender por que não fazer apenas um ou outro.

Manter uma boa postura com eficácia, ou seja, com pouco gasto energético e sem sentir dores é extremamente difícil, senão impossível, quando não temos força muscular e flexibilidade suficiente para tal. E é nesse momento que se torna óbvia a importância do exercício físico.

Costumo usar o exemplo da postura ereta quando estamos sentados. Sem força em extensores de tronco (músculos das costas), tendemos a curvar os ombros para frente porque a musculatura simplesmente entra em fadiga, além de sentirmos dor (Imagem 1). Mas essa postura curvada é prejudicial pela sobrecarga que provoca em articulações e, embora alivie o cansaço, predispõe a lesões. A estabilidade da coluna também é importante para mantermos a postura sentada sobre os ísquios (sobre as nádegas) e não sobre o sacro (quando escorregamos o corpo para frente) (Imagem 2).
       
  
Imagem 1

Imagem 2

Mas ao fazer um exercício é comum acharmos que a força e flexibilidade adquiridas são suficientes por si só para nos proteger de dores e lesões, e isso não é verdade. Se analisarmos bem, passamos muito mais tempo do nosso dia em outras atividades que não o exercício. Se praticarmos um exercício por 2 horas diárias ainda assim teremos outras 22 horas por dia sendo gastas em posturas que se inadequadas com certeza serão prejudiciais. Nada resolve fazer exercício, ter força e flexibilidade suficiente para manter uma boa postura e simplesmente não adotá-la. Desta forma você continua sobrecarregando suas articulações, uma vez que os ganhos do exercício não estão sendo utilizados.

O Pilates é um ótimo método para trabalhar-se força e flexibilidade associadas a uma postura adequada. E todos os exercícios são realizados com o abdome contraído. Isso nada mais é do que a ativação de um músculo denominado Transverso do Abdome (vide imagem ao lado). Esse músculo tem como ação aumentar a pressão intra-abdominal (comprimindo as vísceras) e desta forma estabilizar a coluna lombar. Portanto, deve ser contraído diariamente durante todas as atividades realizadas na posição sentada ou em pé, e durante exercícios mesmo que na posição deitada. Para contrair esse músculo, basta puxar lentamente o umbigo para dentro e mantê-lo sem sentir dificuldade para respirar ou dor. E mais uma vez, manter esse músculo ativado diariamente sem praticar um exercício que promova força dos outros será apenas um coadjuvante nas dores, já que não haverá uma contração muscular eficaz de outros músculos ao realizarmos atividades em que cargas maiores das quais estamos acostumados são aplicadas, como carregar um peso, ou caminhar por mais tempo.

Portanto, pratique Pilates com um profissional, aplique o conceito de ativação do Transverso e mantenha uma boa postura no dia-a-dia!

Imagens: Internet.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Quem pode ministrar aulas de Pilates?


Hoje falarei de um assunto que tem causado muita polêmica. Pelo menos é o que vejo nas páginas da internet, além da confusão entre clientes interessados em praticar o método. Afinal, quem pode ministrar aulas de Pilates?

Atualmente, a maioria dos cursos nacionais são apenas aos Educadores Físicos e Fisioterapeutas. Mas provavelmente ainda existam cursos para Bailarinos e outros profissionais da saúde. Porém independente disso, desde que o profissional tenha um certificado válido ele pode ser Intrutor de Pilates. Devemos apenas nos atentar com certificados estrangeiros não validados no Brasil, e isso vale para qualquer profissional.

Vale lembrar que a sucessora de Joseph Pilates foi bailarina, escolhida pelo próprio criador do método. Então precisamos aprender a respeitar os diversos profissionais ao invés de nos julgarmos melhores.

De qualquer forma, falarei quanto a fisioterapia, que é minha área de atuação. A maior briga que tenho visto são entre Educadores Físicos e Fisioterapeutas, que deveriam ser aliados e não inimigos. Mesmo porque quando uma pessoa recebe um atendimento interdisciplinar (diferentes profissionais interagindo entre si), ela passa a ter muito mais benefícios à saúde.

Toda a briga tem sido causada porque a Resolução CFEF nº 201, de 18 de março de 2010, diz que as evidências históricas e metodológicas definem Pilates como método e modalidade de ginástica, e usado da maneira original ou como modalidade de ginástica, atende aos propósitos da promoção, prevenção, proteção e recuperação da saúde, enquadrando-se portanto no controle ético profissional regulamentado da Educação Física. Sendo assim, essa resolução define o Pilates como método privativo do Professor de Educação Física. 

Porém a Resolução CREFITO nº 28, de 29 de janeiro de 2009, define que o uso do método Pilates como técnica de cinesioterapia (terapia através do movimento) requer conhecimentos que fazem parte das diretrizes curriculares dos cursos de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Sendo assim, a utilização clínica do método se enquadra no âmbito do controle ético e profissional dessas profissões. Portanto, a utilização do Pilates como tratamento cinesioterapêutico funcional, mesmo que preventivo, cabe as Fisioterapeutas e Terapeutas Ocupacionais.

Antes que alguém comente que a Resolução do CREFITO é mais antiga, devo deixar claro que a data de uma Resolução não a torna inválida.

Li também alguns comentário de profissionais dizendo que para fazer Pilates com Fisioterapeuta é preciso pedido médico, e outros dizendo que nós não podemos atuar na prevenção. Ressalto que como vocês podem ler na matéria que postei neste blog denominada "Fisioterapia", nossa profissão é independente e o paciente não precisa de pedido médico para nos procurar (embora por burocracias isso aconteça nos planos de saúde, no atendimento particular não é necessário), lembrando que o mesmo têm uma diferença imensa com diagnóstico médico, fundamental para focar o tratamento e/ou excluir doenças e lesões. Ainda nessa matéria fica explícito nossas funções regulamentadas por Lei, e dentro delas a prevenção faz  parte tanto quanto a reabilitação.

E para finalizar esclareço que cabe a cada um, dentro da sua profissão, aplicar com competência métodos ou técnicas, com conhecimentos específicos, para atingir os objetivos do cliente.

Educador Físico e Fisioterapeuta atuam com prevenção, Educador Físico com condicionamento físico, e Fisioterapeuta com reabilitação. Cabe ao cliente procurar um profissional que possui competência para focar em seus objetivos, e principalmente cabe ao profissional indicar outro quando o objetivo do cliente não abrange a sua atuação. Infelizmente nem sempre isso acontece, mas atuar com responsabilidade traz muito mais satisfação, seja profissional, pessoal ou financeira, do que atuar com egoísmo fazendo aquilo que não lhe competi.

Fonte: http://www.tributosdodf.com.br/index.php/content/view/10406.html

Fonte: http://semesp.org.br/portal/pdfs/juridico2009/resolucoes/04.03.09/28_29.01.09.pdf

Imagem: Internet.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Pilates e a Postura


Muitos já ouviram falar quanto o Pilates contribui para uma melhora na postura. Mas poucos entendem como realmente ocorre esse mecanismo.
Antes de mais nada é importante frisar que uma postura incorreta não trás conseqüências apenas  à estética, mas também prejudica a respiração e provoca um excesso de tensão em músculos e ligamentos predispondo o indivíduo a lesões.
Infelizmente esse risco acaba sendo maior na região lombar uma vez que a sobrecarga nessa região é muito grande e ainda maior quando adota-se uma postura inadequada. Lesões nessa região diminuem drasticamente a funcionalidade do indivíduo, podendo levar ao sedentarismo que se mantido apenas piora o quadro da doença.
Os exercícios do Pilates são realizados visando flexibilidade e resistência muscular mas sempre associados a uma postura adequada, com ombros e pelve (região do quadril) alinhados e estrategicamente posicionados assim como ativação constante de músculos essenciais para o bom alinhamento corporal.
Sabe-se hoje que a ativação em conjunto desses músculos, que chamamos de CORE, Power House ou Centro de Força são fundamentais para a prevenção de lesões na coluna, como protrusão discal ou hérnias de disco.
Sendo assim, os exercícios de Pilates são extremamente benéficos na correção postural, o que não apenas previne o risco de lesões como também melhora nossa respiração e diminui o gasto de energia durante as atividades, minimizando ou eliminando as dores e o cansaço.
Foto: Internet

 - ESTA MATÉRIA FOI PUBLICADA NO JORNAL METROPOLITANO, NA SESSÃO INFORMATIVA SOBRE SAÚDE.
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Por quê fazer Pilates?


Atualmente muito se sabe em relação aos benefícios do exercício físico resistido, conhecido também como anaeróbio.
No passado esse tipo de exercício era prescrito apenas para fornecer força e resistência muscular. Porém, hoje outros benefícios já são reconhecidos.
O exercício anaeróbio, assim como o aeróbio (caminhar, correr...), também auxilia no emagrecimento e melhora do condicionamento físico.
Isso acontece porque ao exigir mais do nosso corpo do que exigimos durante o dia-a-dia, seja em força ou em condicionamento cardiorrespiratório, ocorre um aumento na demanda de energia do organismo , que consequentemente aumenta nosso metabolismo (entende-se por metabolismo a soma dos processos químicos e físicos que ocorrem dentro do nosso corpo, como a queima de gorduras que leva ao emagrecimento).
Ao ter um aumento no nosso metabolismo, mobilizamos ácidos graxos livres das células, mais conhecidos por formarem o tecido adiposo (gordura). Essa moléculas são quebradas e eliminadas através das fezes, e ao reduzir a gordura do nosso corpo conseguimos diminuir também o colesterol (LDL) e por conseqüência a pressão arterial (muitas vezes relacionada a esses fatores).
Durante o exercício resistido também há um aumento no consumo de oxigênio melhorando nossa capacidade cardiorrespiratória. Essa melhora pode ser somada ao fato de que o aumento da força e resistência muscular em pernas aumenta nossa capacidade de realizar exercícios aeróbios, já que cansamos menos ao andar por longos períodos ou subir e descer escadas, por exemplo.
Mas vocês devem estar se perguntando onde entra o Pilates nisso tudo.
Simples!
Para um melhor resultado na prática do Pilates, é preciso unir os conhecimento adquiridos em estudos como fisiologia do exercício com o método propriamente dito. Sendo assim, priorizando os princípios do Pilates (concentração, controle, fluidez e precisão do movimento, ativação do centro de força - CORE ou Power House, respiração adequada e relaxamento - movimentos realizados sem sobrecarregar músculos e articulações), que nos leva a manter a qualidade e não a quantidade de um movimento específico, é possível trabalhar de forma a visar os benefícios do exercício resistido.
Através de um número adequado de séries e repetições, sustentação quando necessário, além da aplicação de resistência (através das molas dos aparelhos ou com acessórios) ou simplesmente de uma exigência maior do que aquela feita no dia-a-dia, obtém-se todos os benefícios citados acima, além de um aumento da flexibilidade (alongamento).

Para vivermos com qualidade é preciso músculos fortes e alongados assim como condicionamento físico e percentual de gordura baixo; lembrando também que o Pilates serve como método de reabilitação pelos Fisioterapeutas para diversas disfunções.
Portanto, procure um profissional qualificado que possua conhecimentos específicos  e qualificação para aplicação do método.

Foto: internet

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Pilates


Este método, criado com base em princípios específicos por Joseph H. Pilates, trabalha o corpo e a mente através de exercícios controlados, coordenados, ergonomicamente corretos e sem provocar exaustão.
Os adeptos desta prática apresentam grandes melhoras na flexibilidade, resistência muscular e alinhamento postural.
O pilates pode ser realizado simplesmente com a finalidade de condicionamento físico ou ainda na prevenção e tratamento de doenças ou lesões.
O profissional que aplica o método deve ter um curso com reconhecimento do mesmo, além de ser estudante ou formado nos cursos de Educação Física e/ou Fisioterapia, ou ser Bailarino.
É importante ressaltar  que o educador físico é apto para aplicar o pilates visando o condicionamento , enquanto o fisioterapeuta utiliza o mesmo com mais eficácia para reabilitar. Quanto a prevenção, ambos são aptos. Já na dança, o método pode ser aplicado por um bailarino.
A escolha do profissional e do número de alunos em cada aula irá variar de acordo com o objetivo do cliente. Vale lembrar que se o objetivo é o tratamento de um problema, quanto mais alunos e quanto maior a diversidade de lesões/doenças (ou a concomitância da ausência e presença  das mesmas ) mais difícil será o foco.
Há muitos fisioterapeutas aplicando o pilates com o objetivo de condicionar. Isto não é errado. Porém na minha opinião cada área deve ser respeitada na sua respectiva abrangência. Assim como o educador físico não pode reabilitar, mesmo com conhecimento no método, ao meu ver o foco do fisioterapeuta é a promoção, prevenção  de saúde e tratamento. Possuímos aulas na graduação de como condicionar um cardiopata por exemplo, mas condicionar um indivíduo sem dores, lesões ou doenças é algo inerente ao educador físico.
Ao aplicar o pilates em um indivíduo saudável, o meu trabalho como profissional será a prevenção de doenças. Porém também é preciso respeitar pontos de vista diferentes, certo!
Foto: internet